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Arborização
Urbana

Em 2026, a arborização urbana na Região Nordeste do Brasil deixou de ser uma questão puramente estética ou de bem-estar para se tornar uma medida de saúde pública e adaptação climática de urgência máxima. Em capitais que enfrentam altos índices de radiação solar e temperaturas elevadas durante quase todo o ano, a vegetação desempenha um papel crucial na mitigação das ilhas de calor. Através da sombra projetada e do processo de evapotranspiração, as árvores conseguem reduzir a temperatura ambiente em vários graus, proporcionando um conforto térmico essencial para a circulação de pedestres e diminuindo a dependência energética de sistemas de ar-condicionado.

 

Além do controle térmico, a presença de árvores nativas — como o ipê, a carnaúba e o oiti — é vital para a resiliência das cidades nordestinas frente aos eventos climáticos extremos. No litoral, a arborização auxilia na contenção de ventos fortes e na manutenção da umidade, enquanto em toda a região ela atua como um sistema natural de drenagem urbana. As raízes e a cobertura vegetal aumentam a permeabilidade do solo, prevenindo alagamentos e erosões comuns durante as quadras chuvosas intensas, além de servirem como corredores ecológicos que preservam a biodiversidade remanescente da Caatinga e da Mata Atlântica no tecido urbano.

Sob o aspecto socioeconômico, cidades mais verdes no Nordeste promovem uma melhoria direta na qualidade de vida e na valorização dos espaços públicos. A arborização estratégica incentiva a caminhabilidade, permitindo que a população utilize as calçadas e praças com dignidade, mesmo nos horários de sol a pino. Isso fortalece o comércio local, reduz níveis de estresse e poluição sonora, e promove o bem-estar mental. Sem um plano diretor de arborização robusto e urgente, as metrópoles nordestinas correm o risco de se tornarem ambientes hostis à vida humana, exacerbando as desigualdades sociais onde as áreas mais pobres são, invariavelmente, as mais desprovidas de cobertura vegetal.

> Os Dados dos Estados e das Capitais pelo Censo

A realidade apontada pelo Censo é de um déficit verde preocupante em quase toda a região. Enquanto a média nacional de arborização nos entornos é de 68,2%, o Nordeste registra os índices mais baixos do país, com capitais litorâneas apresentando números alarmantes. Essa diferença de percepção deve-se à rigorosa metodologia do IBGE, que passou a considerar o entorno imediato do domicílio (a face do quarteirão e excluindo quintais particulares). Isso revelou que, embora existam grandes parques ou áreas verdes preservadas, as calçadas onde as pessoas efetivamente caminham no Nordeste estão cada vez mais desprovidas de sombras.

Os dados serviram para derrubar mitos, já que Teresina deixou de fazer jus ao título de 'Cidade Verde', e o status de João Pessoa, que possui uma área verde por habitante superando as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). No ranking do IBGE, Fortaleza lidera atualmente a arborização entre as capitais nordestinas, com quase 60% da população vivendo em vias arborizadas (ressalta-se que com pelo menos 1 árvore), seguida por Teresina e Natal. O índice revela ainda de maneira mais ampla o percentual de moradores em ruas com árvores, calçadas ou praças - destacando uma boa presença de verde na capital cearense em comparação com outras como Salvador e São Luís, que aparecem com os menores índices não somente da Região, mas de todo o país (apenas 34% da população vive em vias com pelo menos alguma árvore). 

Evidentemente, é relevante enfatizar os critérios porque apenas a presença de uma única árvore é bastante desconfortável. O que o Censo permitiu identificar foi que "em relação à arborização, 58,7 milhões de pessoas (33,7%) moram em vias sem arborização, enquanto 114,9 milhões (66,0%) vivem em vias com presença de árvores, sendo que 55,8 milhões (32,1%) estão em vias com 5 árvores ou mais". Ou seja, o último quantitativo é o mais próximo do ideal para o conforto térmico, mas ele é escasso no Brasil: uma realidade vivida por apenas 32% da população.

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> Os Bons Exemplos da Região
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  • Governos de Alagoas e Maceió
  • Governos da Bahia e Salvador
  • Governos do Ceará e Fortaleza
  • Governos do Maranhão e São Luís

No levantamento do IBGE (Censo 2022), o Maranhão apresentou um desafio considerável, similar ao restante da região Nordeste e em patamares próximos do da capital (37,7% contra 38,6% de São Luís). A atuação do Governo do Maranhão na área de arborização e preservação ambiental é estruturada principalmente em torno do programa Maranhão Verde, que se desdobra em diversas frentes para combater o desmatamento e promover a recuperação de áreas degradadas, tanto em ambientes rurais quanto urbanos. Diferente de outros estados que focam apenas no plantio de calçadas, o Maranhão integra a arborização a uma política de segurança hídrica e conservação de biomas (Amazônia, Cerrado e Caatinga). A atuação do governo maranhense é complexa porque o estado é uma zona de transição. No Oeste, as políticas focam na influência da Amazônia; no Sul e Leste, no Cerrado. Isso exige que o programa de arborização urbana utilize espécies muito diferentes em Imperatriz (mais úmido) comparado a Caxias (mais seco), por exemplo.

Coordenado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (SEMA), este programa incentiva a recuperação de matas ciliares e áreas de preservação permanente. No contexto urbano e periurbano, o governo atua na distribuição de mudas e no apoio técnico para que os municípios maranhenses desenvolvam seus próprios planos de arborização, priorizando espécies nativas e frutíferas. O governo mantém viveiros que produzem milhares de mudas mensalmente. Um destaque é a integração com a agricultura familiar, onde o plantio de árvores em cidades do interior é associado à geração de renda através de espécies como o açaí, bacuri e buriti, que além de sombra, oferecem segurança alimentar.

Seguindo a tendência de estados como Paraíba e Ceará, o Maranhão implementou o programa AJA. Capacita jovens de 16 a 21 anos em situação de vulnerabilidade para atuarem em projetos socioambientais. Esses jovens trabalham diretamente na manutenção de viveiros estaduais e municipais e na sensibilização da população sobre a importância da cobertura vegetal para reduzir o calor nas cidades.

O Maranhão utiliza o ICMS Ecológico como ferramenta para estimular as prefeituras a investirem em áreas verdes. Cidades que preservam e arborizam recebem uma fatia maior do imposto estadual.

  • Governos da Paraíba e João Pessoa

O Governo da Paraíba adotou uma série de medidas para melhorar a arborização, principalmente através do programa Paraíba Mais Verde, que engloba diversos projetos focados na arborização urbana, recuperação de áreas degradadas e reflorestamento. O estado está implementando uma rede de viveiros para produzir mudas nativas que serão usadas na arborização urbana e na recuperação de áreas degradadas em vários municípios, a Rede de Viveiros de Mudas. O governo estabelece parcerias com outras entidades, como o Ministério Público Federal (MPF), para ações de compensação ambiental, e apoia iniciativas de associações locais que já plantaram milhões de árvores na região do Cariri. 

O Paraíba Mais Verde prevê a execução de diversos projetos (sendo ao todo 5 eixos integrados), dentre eles o Corredor das Águas, que visa restaurar áreas protegidas das bacias hidrográficas da Paraíba, restaurar calhas regulares dos rios de maior estabilidade ambiental e disponibilidade hídrica e formar corredores ecológicos funcionais para a biodiversidade e sustentabilidade econômica da população paraibana. O Corredor das Águas está inserido no Plano Estadual de Recursos Hídricos, como também no Plano de Recursos Hídricos da Bacia do Litoral Norte e do Litoral Sul.

O programa Jovem Agente Ambiental (JAA) da Paraíba é uma das iniciativas mais estratégicas do Governo do Estado para unir inclusão social e sustentabilidade. Lançado com foco na educação ambiental e no protagonismo juvenil, o programa seleciona jovens, geralmente em situação de vulnerabilidade socioeconômica, para atuarem como multiplicadores de práticas sustentáveis em suas comunidades. O programa é coordenado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMAS-PB) e foca em jovens (geralmente entre 14 e 24 anos) que estejam regularmente matriculados na rede pública de ensino ou que já tenham concluído o Ensino Médio em escolas públicas. O objetivo é oferecer uma alternativa de ocupação e renda, ao mesmo tempo em que forma cidadãos conscientes sobre os desafios climáticos da região. Um dos grandes diferenciais do JAA é o pagamento de uma bolsa mensal aos participantes. Isso garante que o jovem tenha suporte para permanecer no programa e investir em sua formação, transformando a proteção ambiental em uma oportunidade de desenvolvimento pessoal e econômico.

 

A capital paraibana, João Pessoa, recebeu o selo "Cidades Árvores do Mundo" por três vezes consecutivas, em reconhecimento ao seu compromisso com a gestão sustentável das árvores e florestas urbanas, um selo de reconhecimento internacional concedido pela Organização para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO/ONU) e a Fundação Arbor Day. A Prefeitura de João Pessoa gerencia a arborização através de políticas e documentos específicos. A cidade implementou o programa municipal "João Pessoa + Verde", um esforço para reverter a queda recente no ranking de arborização urbana (de 78,4% em 2010 para 53,2% em 2022) e retomar seu status histórico como uma das cidades mais verdes do Brasil, com ações que incluem incentivo à população (e de outras instituições públicas) para o plantio de 500 mil mudas até 2030 e visa ampliar e qualificar a cobertura arbórea da cidade.

 

Além do Programa, a gestão da arborização é orientada por legislação e materiais técnicos, incluindo:

 

  • Governos de Pernambuco e Recife

Por lei, mudas de tamanhos maiores.

  • Governos do Piauí e Teresina
  • Governos do Rio Grande do Norte e Natal
  • Governos de Sergipe e Aracaju
> O Papel Indispensável da Orientação da População

Optar por espécies nativas é fundamental não apenas pela adaptação ao clima (maior sobrevivência e menor gasto com irrigação), mas também para preservar a identidade biológica da região e atrair a fauna local (pássaros e polinizadores). Para calçadas, o segredo é escolher árvores de pequeno a médio porte, com raízes que crescem para baixo (pivotantes) e não para os lados (superficiais/agressivas).

E, aqui, vai uma grande surpresa trágica para muitos: o coqueiro não é uma planta nativa do Brasil! Embora seja um símbolo icônico do litoral brasileiro, ele não é nativo do país. Acredita-se que a origem do coqueiro seja o Sudeste Asiático e as ilhas do Oceano Índico e Pacífico - a planta foi introduzida e espalhada no Brasil pelos colonizadores portugueses por volta de 1553, com sementes trazidas das ilhas de Cabo Verde, na África. Além dos problemas climáticos, a baixa produtividade dos coqueiros na Região Nordeste é o resultado de fatores relacionados à variedade de coco explorada e ao nível tecnológico empregado nas regiões litorâneas. Ainda assim, ele é bastante utilizado pelas próprias prefeituras das capitais para arborização até das orlas, de maneira equivocada.

> A Mobilização da Sociedade
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