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Saneamento Básico | Tratamento de Esgoto

"Sanear é o primeiro dever de quem governa, pois sem saúde não há braços para a lavoura nem mentes para o progresso."

Octávio de Freitas (1871-1949)
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O eixo de Saneamento e Esgotamento Sanitário nasce sob a égide de um pioneirismo regional que, há mais de um século, já compreendia a infraestrutura urbana como o alicerce da saúde pública e do desenvolvimento econômico. Esta trajetória é personificada na figura de Octávio de Freitas, nascido em Teresina (PI), e com infância vivida no Maranhão, tornou-se médico e intelectual que não apenas fundou a Faculdade de Medicina do Recife para formar inteligência local, como também assumiu o papel de guardião da memória técnica ao historiar pioneiramente o tema, em sua obra os "Saneadores de Pernambuco", dentre outros escritos relevantes.

Além de criar o Jornal de Medicina de Pernambuco, o Prof. Octávio de Freitas igualmente fundou juntamente com outros médicos da capital pernambucana, em 1946, o Instituto Pernambucano de História da Medicina, do qual tornou-se Patrono. Na ocasião, conforme registro em artigo de um membro (o médico Luiz de Gonzaga Braga Barreto), discursou sobre a importância das práticas médicas desenvolvidas no estado de Pernambuco e que o seu registro não estava sendo realizado pelos escritores médicos do sul do país, que tinham a primazia de se envolver na descrição desses eventos, “muito embora tenha sido nesta cidade (do Recife), onde primeiro se cuidou do estudo concernente à ciência e a arte de curar.

 

O seu legado no âmbito do saneamento transcendeu a teoria, ao materializar a incorporação das evidências científicas na gestão pública com a criação do Registro Sanitário das Habitações em 1912 - embora existissem controles pontuais em outros estados (como RJ e SP), o modelo de Octávio de Freitas do Boletim Estatístico Demográfico-Sanitário da Cidade do Recife destacou-se pela sistematização rigorosa e pela visão de que a transparência sobre as condições de moradia era o primeiro passo para qualquer intervenção administrativa eficaz. Ele foi o primeiro a usar a imprensa e as conferências públicas para transformar a questão do esgoto em pauta eleitoral, sensibilizando e mobilizando a opinião pública e as autoridades. 

 

A presente galeria registra a aceleração da universalização do esgotamento sanitário na atualidade, utilizando sobretudo parcerias estratégico-privadas para expandir a rede de coleta e a construção de Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) modernas. A gestão deve priorizar a eficiência bioquímica e o monitoramento digital de efluentes, garantindo que o descarte ocorra sem contaminar os corpos hídricos, preservando a balneabilidade das praias e rios. As intervenções também devem observar o reuso de águas cinzas para fins industriais e agrícolas, transformando o que seria resíduo em um ativo valioso para a economia circular de regiões como o semiárido, por exemplo.

 

Assim, o tratamento de esgoto é consolidado como o principal pilar da saúde preventiva e da recuperação ambiental, erradicando doenças de veiculação hídrica e a promoção da elevação do IDH das cidades nordestinas. Cabe destacar que a região Nordeste é a que apresenta o maior ritmo de crescimento e o maior volume de novos leilões e parcerias desde a aprovação do Novo Marco Legal do Saneamento em 2020. O conteúdo, portanto, mergulha na maior evolução de infraestrutura sanitária da história recente da região, que agora também assume o protagonismo nacional na corrida pela universalização.

 

Com base nos indicadores do Instituto Trata Brasil, documentamos o progresso dos índices de coleta e tratamento principalmente nas capitais e cidades mais populosas da região, que situam Teresina como o município do país que mais avançou no Ranking do Saneamento 2026, principal instrumento de monitoramento independente do setor, com um salto de 14 posições em relação ao ano anterior, sendo a capital que mais investe em saneamento no Nordeste, com investimento médio de R$ 187,68 por habitante, segundo o estudo. A cidade baiana de Vitória da Conquista é a campeã geral.

 

Tal cenário, contudo, inverte-se de forma ampla em pelo menos metade dos estados da região, onde cerca de metade das moradias ainda não tem acesso à coleta de esgoto (inclusive nas capitais Maceió, Natal, Recife e São Luís) e apenas 34,7% recebe tratamento (um índice muito abaixo da média nacional de 49%). Tal panorama gera, em consequência, o segundo maior índice nacional de internações por doenças correlatas, com um outro dado alarmante, o da faixa etária da concentração de internações por arboviroses: 93,3% das hospitalizações em 2024 em todo o país foram de crianças e jovens de até 29 anos de idade

 

Por isso, da estruturação dos leilões de PPPs (Parcerias Público-Privadas) e dos planos governamentais locais, ao impacto direto na saúde pública e na balneabilidade de nossas praias, os vídeos ajudam a detalhar como a modernização das redes está retirando o passivo ambiental de nossos solos e nossas bacias hidrográficas. São os registros técnicos e jornalísticos de um Nordeste que caminha para enterrar esse atraso e construir as bases da dignidade humana e do desenvolvimento sustentável sob forte pressão (e fiscalização) da própria sociedade.

Tópicos ExtrasConsiderando que o acesso à água transcende a infraestrutura básica para se tornar uma questão de sobrevivência e dignidade primordial, a Gestão Hídrica foi consolidada em um tópico exclusivo devido à sua urgência e relevância histórica sem paralelos na região. Enquanto os demais eixos do saneamento avançam sob lógicas urbanas e industriais, a governança das águas no Nordeste carrega o peso de séculos de convivência com a seca, exigindo uma abordagem profunda que abrange desde a transposição de grandes rios e a gestão de adutoras até as soluções descentralizadas, como as tecnologias de cisternas.

 

Dedicar um espaço isolado a este tema é reconhecer que, antes de universalizar a drenagem ou a coleta de resíduos, o Estado precisa garantir a segurança hídrica como o pilar fundamental que sustenta qualquer outra política de desenvolvimento humano e econômico.

Total de Vídeos na Galeria | 141

Data da Última Atualização | 26.03.26

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