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Monitoramento de Obras Prioritárias

"Somos referência e fonte de inspiração para outros estados que desejam integrar o BIM, que representa a transformação digital da construção civil e tornará nossos processos mais simples, aumentando a nossa eficiência na execução das obras em todo o estado [da Bahia]. Isso também significa mais economia no uso dos recursos públicos e obras mais céleres."

José Trindade
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Este eixo visa oferecer um panorama sobre a utilização de tecnologias de georreferenciamento e imagens de satélite para acompanhar em tempo real o cronograma físico e financeiro das grandes intervenções de infraestrutura no Nordeste. A gestão pública aqui é potencializada por plataformas de transparência atreladas, que permitem ao cidadão fiscalizar o status de intervenções em rodovias, escolas e hospitais através de QR Codes e mapas interativos de obras.

 

A seção expõe a revolução no universo da governança do Monitoramento de Obras Prioritárias, onde a tecnologia rompe as barreiras entre o canteiro de obras e o cidadão. Mediante sensores de telemetria oficiais, vigilância por drones, registros de celular, e até disponibilização de dados abertos com atualização em tempo real por imagens, o controle social deixa de ser burocrático para se tornar visual e instantâneo.

Nessa perspectiva, o uso da modelagem BIM (Building Information Modeling) tornou-se o divisor de águas na Nova Lei de Licitações (Lei 14.133/2021), que tornou prioritária e incentiva a adoção dessa tecnologia em obras públicas para garantir maior precisão e transparência. Diferente do desenho tradicional em '2D', o BIM cria um "gêmeo digital" da obra, integrando dados de custos, prazos e sustentabilidade, o que permite simular interferências e prever problemas antes mesmo do início da construção. Em princípio, portanto, a incorporação de BIM e drones em vistorias técnicas favorece um controle melhor na aplicação dos recursos públicos, contribuindo para reduzir aditivos contratuais e prazos de entrega.

Precursor, o BIM no Piauí foi implementado em 2023, como o projeto da nova sede da Seplan (totalmente desenvolvido com a metodologia), e o Diagnóstico Estadual BIM (aplicado em 19 secretarias, onde foi identificado o nível de maturidade tecnológica e elegeu a Sesapi como órgão-modelo para a próxima fase de implementação até 2027). Além disso, a Seplan também estruturou um plano estratégico de expansão, com capacitações, criação de normas, implantação do Laboratório de Estudos de Tecnologias BIM (LaBIM Labim-PI), regulamentação para contratações, definição de indicadores e parcerias com academia e setor privado, consolidando o estado como referência nacional em BIM no setor público.

O Piauí foi, de fato, um dos grandes pioneiros ao institucionalizar a estratégia de forma precoce e entrelaçada à sua transformação digital, mas a Bahia foi quem realmente concretizou com capilaridade. O programa BIM Pra Toda Bahia, lançado em julho de 2025, representa um marco na modernização da gestão de infraestrutura pública ao instituir a metodologia como padrão transversal obrigatório em toda a administração pública estadual. Essa mudança robusta, coordenada por um comitê gestor e apoiada por parcerias de capacitação técnica, eleva o patamar de eficiência dos gastos públicos por meio da automação de processos, redução drástica de erros e retrabalhos, e maior precisão nos cronogramas e orçamentos.

No Nordeste, embora Sergipe (Decreto Nº 368/2023), Maranhão (Decreto Nº 38.886/2024), e Bahia (Decreto Nº 23.834/2025) tenham tomado a dianteira com promulgação legal, e apenas a Bahia e o Piauí efetivamente conduzido um programa estadual, outras capitais da região já instituíram o BIM de alguma forma estratégica, como Fortaleza (CE) e Teresina (PI), que estabeleceu um Núcleo BIM (Nubim), dentro da Secretaria Municipal de Planejamento e Coordenação (SEMPLAN) e foi a primeira prefeitura do Nordeste a inserir a tecnologia dentro da gestão (criado pelo Decreto nº 20.269/2020).

Pernambuco foi o primeiro estado brasileiro a firmar um pacto regional interinstitucional para promover o uso do BIM em toda a cadeia da construção civil. O pacto prevê ações como capacitação, mentorias, acesso a financiamento para aquisição de software e hardware, e inclusão do instrumento nos currículos universitários. Na Paraíba, a Superintendência de Obras do Plano de Desenvolvimento do Estado (Suplan) investiu na produção BIM em alguns projetos desde 2019, estando entre os estados pioneiros da aplicação no Brasil e servindo de modelo para os demais da região.

Considerado o futuro do setor construtivo, o BIM facilita a criação de um ambiente colaborativo em todas as fases do empreendimento, e desde 2019 já tinha um Decreto em âmbito federal. O Decreto nº 11.888/2024 delimitou a Nova Estratégia BIM BR, pilar fundamental dessa transformação digital no setor público - e em 2025 a Caravana Democratizando BIM Agentes Públicos  (uma iniciativa da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial/ABDI) percorreu o país com o objetivo de capacitar gestores públicos na gestão da metodologia nos processos para contratação de obras públicas.

 

Assim, o monitoramento digital transforma canteiros de obras em dados auditáveis, combatendo o desperdício e assegurando que os investimentos estratégicos se convertam em benefícios reais para a população da região. Como referências adicionais, vale destacar sobretudo a fiscalização de obras de grande vulto financiadas por organismos como o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) ou coordenadas pela SUDENE (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste), que migraram para um modelo de supervisão imediata e dados abertos.

 

Lançado em 2022, por exemplo, o SIGMAPAS (Sistema Georreferenciado de Monitoramento e Acompanhamento de Projetos e Ações da Sudene) é uma das ferramentas mais estratégicas para a transparência e a eficiência na gestão pública do Nordeste. Ele funciona como uma plataforma de inteligência territorial que permite visualizar, em um mapa interativo, onde e como os recursos da Sudene estão sendo aplicados - e a busca pelos dados pode ser personalizada, com a possibilidade de ampliar ou reduzir a área de consulta, selecionando temas de interesse.

Por sua vez, o Governo Federal brasileiro igualmente centraliza em painéis gerenciais didáticos informações sobre todas as obras que são executadas com recursos de transferências da União, permitindo ver fotos da evolução física e o histórico de pagamentos. Esse novo cenário de transparência digital permite que a população atue como um fiscal direto, acompanhando o cronograma físico e financeiro de grandes projetos de infraestrutura com a ponta dos dedos, garantindo que cada investimento se transforme efetivamente em benefício público.

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Data da Última Atualização | 01.04.26

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