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Segurança Alimentar

"Denunciei a fome como um flagelo fabricado pelos homens contra outros homens, assistiremos nos anos futuros ou a integração econômica do mundo ou a desintegração física do planeta."

Josué de Castro (1908-1973)
 
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Este eixo monitora as políticas de combate à desnutrição fundamentadas no legado de Josué de Castro (médico e geógrafo autor da obra emblemática Geografia da Fome), intelectual que desnaturalizou a escassez ao provar que ela é uma questão política e não biológica. Recifense indicado quatro vezes ao Prêmio Nobel, Castro presidiu a FAO (braço da ONU que lidera os esforços internacionais para erradicar a fome, a insegurança alimentar e a má nutrição no mundo) e foi pioneiro em estudos sobre o tema, explicando a fome como um fenômeno social. O trabalho de Josué foi essencial para difundir o conhecimento sobre o flagelo da fome no Brasil e pressionar o poder público a assumir a sua responsabilidade na questão. 

 

A videoteca, portanto, registra o esforço coletivo que resultou novamente na saída recente do Brasil do Mapa da Fome da ONU (instrumento de monitoramento global), reafirmando o compromisso nacional com a soberania alimentar e a dignidade humana, não somente via políticas federais ou legislativas (como a aprovação do imposto zero na Reforma Tributária para produtos da cesta básica de alimentos a partir de 2027), mas programas e iniciativas locais igualmente decisivas. A galeria evidencia a dimensão da expansão das cozinhas comunitárias estaduais e o fortalecimento da agricultura familiar, conectando a produção local diretamente ao prato da população vulnerável.

De fato, a Síntese de Indicadores Sociais 2025 (IBGE) revelou um Brasil que volta a trilhar o caminho da reconstrução social, após um período de retrocessos sociais durante a última pandemia. Os resultados também recentes da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA) certificam que o país retornou ao seu menor nível histórico de fome: aproximadamente 3% dos domicílios, o mesmo patamar de 2013. Na mesma linha, as estimativas da FAO confirmaram a Prevalência de Subalimentação abaixo de 2,5%, o principal indicador aferido como referencial para exclusão do Mapa da Fome. Esta foi a segunda vez que o Brasil atingiu esse marco, sendo a primeira em 2014, antes de retornar ao mapa entre 2019 e 2021.

 

Essa reconstrução se materializa com método incisivo no Plano Brasil Sem Fome, que atrela acesso à renda, proteção social e apoio à produção e ao consumo de alimentos adequados e saudáveis, conforme salienta um artigo especial da paraibana Valéria Burity, atual Secretária Extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do Governo Federal. Merece destaque nesse processo a retomada do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN), assim como o fortalecimento do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e do SUS - inclusive com seus respectivos Conselhos participativos.

Apesar de ter saído do Mapa da Fome (subalimentação crônica), o Brasil ainda possui cerca de 6 milhões de pessoas subnutridas e enfrenta desafios relacionados à insegurança alimentar moderada e ao alto custo de dietas saudáveis. O Nordeste brasileiro ainda concentra um dos maiores índices de insegurança alimentar do país, com cerca de 34,8% dos domicílios afetados (sobretudo em áreas rurais), segundo dados de 2025 (IBGE) e pesquisas do II VIGISAN, da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan). A região reduziu a alta insegurança alimentar moderada e grave (para 7,5% e 4,8%), mas permanece acima da média nacional, impulsionada por baixa renda e desigualdade social. 

Na Região, os estados mais críticos dentre os com percentuais mais altos de domicílios em insegurança alimentar são Bahia (37,8%), Pernambuco (35,3%), Maranhão (35,2%), Alagoas (35%) e Sergipe (35%). Já as capitais mais afetadas são Salvador (27,3%) e São Luís (27,1%). A quantidade absoluta de domicílios em insegurança alimentar é maior no Nordeste (7,2 milhões), seguido por Sudeste (6,6 milhões), Norte (2,2 milhões), Sul (1,6 milhão) e Centro-Oeste (1,3 milhão), embora as proporções graves sejam pior no Norte.

 

Apesar do quadro, o Censo Sisan 2025 confirmou um crescimento consistente na política brasileira de Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) nos últimos anos. Em 2018, apenas 36,6% dos municípios informavam possuir algum tipo de estrutura organizacional dedicada ao tema - em 2024, esse percentual alcançou 51% dos municípios (2.826), e patamar semelhante em instâncias de participação. Assim, o avanço da tecnologia de dados e das redes de proteção social atestam e transformam a assistência em uma política de Estado mais estruturante, combatendo o subdesenvolvimento e garantindo que o direito à alimentação seja universal e inalienável de forma efetiva.

Total de Vídeos na Galeria | 224

Data da Última Atualização | 26.03.26

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