Nordeste inaugura aterros sanitários e avança na gestão de resíduos sólidos alavancando o Saneamento Básico Regional
O que o leitor vai levar deste texto
Compreensão clara do papel dos novos aterros para melhorar a gestão de resíduos na Região Nordeste.
Entendimento dos benefícios diretos e indiretos gerados por essas obras nos estados do PI, RN e Maranhão.
Conhecimento sobre a importância de continuar o trabalho para garantir sustentabilidade a longo prazo.
Insights para adaptar ou propor políticas públicas focadas na melhoria dos índices de saneamento e resíduos sólidos em seus respectivos territórios.
Introdução
Contextualização da importância dos resíduos sólidos e saneamento para o desenvolvimento regional.
Apresentação dos novos aterros inaugurados no Rio Grande do Norte (RN) e no Maranhão.
Objetivo do texto: analisar como esses avanços contribuirão para a melhoria dos índices regionais e discutir os impactos para os gestores públicos, entidades da sociedade civil e órgãos de controle.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos, o marco legal que rege a gestão e o gerenciamento de resíduos no Brasil, proíbe a manutenção de lixões a céu aberto, mas a realidade de uma boa parcela dos municípios nordestinos nesse quesito ainda é um desafio. A correta destinação dos resíduos para aterros sanitários é um passo fundamental para o desenvolvimento de cidades inteligentes e sustentáveis.
A tendência em toda a região Nordeste tem sido a criação de aterros sanitários consorciados/regionais, onde municípios menores compartilham a mesma estrutura para tornar viável o investimento financeiro e operacional. Por que a solução é conjunta e não um por cidade? Construir e manter um aterro sanitário padrão exige alto investimento em engenharia (impermeabilização do solo, tratamento de chorume e queima de gases). Para cidades de pequeno porte, o custo individual inviabilizaria a operação. Por isso, o planejamento do Estado se baseia em consórcios intermunicipais e gestão compartilhada. O lixo é coletado nas cidades vizinhas, levado a uma Estação de Transbordo e, de lá, transportado em carretas maiores até um desses aterros centrais.
Com o avanço recente do Piauí, o Nordeste consolida 7 dos seus 9 estados em patamares superiores à metade mais crítica da Região Norte (Amazonas, Pará e Acre). A realidade até pouco era que apenas a capital, Teresina, tinha destinação correta. Isso significava que cerca de 26% da população estadual estava atendida, enquanto quase 75% vivia sob o impacto de lixões. Agora, com o fechamento de quase 100 lixões e a entrada em operação dos novos aterros regionais (como Altos, União, Água Branca, Floriano, Picos e Parnaíba), o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PI) aponta que 53,5% da população urbana do piauiense já conta com destinação final efetiva e comprovada, com contratos assinados que podem elevar esse potencial para 69,5% à medida que as pequenas cidades finalizarem suas transições.
Porém, o Maranhão e a Bahia continuam na base, e o Rio Grande do Norte ainda disputa posições abaixo de estados mais eficientes do Norte, como Rondônia. Apesar desses avanços com os aterros regionais e privados, o estado ainda enfrenta o desafio de eliminar os lixões remanescentes em mais de uma centena de municípios de menor porte populacional.
A mudança representa um avanço necessário para a proteção ambiental, a saúde pública e a qualidade de vida da população. Mas construir um aterro sanitário não significa, por si só, implementar uma gestão integrada de resíduos. Para que a nova infraestrutura seja eficiente e tenha maior vida útil, é fundamental estruturá-la com coleta seletiva, segregação na origem, educação ambiental, inclusão dos catadores, recuperação de recicláveis, tratamento dos resíduos orgânicos, monitoramento e rastreabilidade. Aterros sanitários devem receber rejeitos: aquilo que, depois de esgotadas as possibilidades técnica e economicamente viáveis de recuperação e tratamento, necessita de disposição final ambientalmente adequada.
Recicláveis não deveriam ser enterrados. Resíduos orgânicos podem ser tratados. Materiais reutilizáveis podem continuar circulando na cadeia produtiva. O próximo desafio, portanto, é transformar infraestrutura em uma política pública permanente, integrada e capaz de produzir resultados ao longo do tempo.
O estado do Rio Grande do Norte, por exemplo, por meio da SEMARH, conseguiu R$ 34 milhões junto ao Governo Federal para apoiar as unidades de catadores das regiões do Assú e do Seridó, com o Projeto RN+Recicla, beneficiando cerca de 100 municípios potiguares. Esse projeto contemplará a aquisição de veículos, equipamentos e galpões de triagem para coleta seletiva. A iniciativa igualmente busca estruturar o trabalho dos catadores de materiais recicláveis, contando com ações complementares como capacitação técnica, parceria com o Sistema S (SESI/SENAI) e integração com políticas de economia circular.
Entenda o Panorama atual da gestão de resíduos sólidos no Nordeste
Situação histórica dos resíduos sólidos na região Nordeste.
Desafios enfrentados pelos estados para o manejo adequado dos resíduos.
Consequências dos problemas atuais no saneamento básico e saúde pública.
Os índices de destinação adequada de resíduos sólidos exercem um impacto direto e transformador sobre os indicadores gerais de saneamento básico no Nordeste, pois o manejo de resíduos é um dos quatro pilares fundamentais do setor — ao lado do abastecimento de água, do esgotamento sanitário e da drenagem urbana. Historicamente penalizada por baixos índices de cobertura e pela proliferação de lixões a céu aberto, a região vê na erradicação desses depósitos irregulares e na migração para aterros sanitários regionais uma via rápida para alavancar suas notas em diagnósticos como o SINISA (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico).
Além de elevar a pontuação de cobertura global, a disposição ambientalmente correta gera externalidades positivas imediatas nos demais eixos: reduz a obstrução de canais de drenagem — diminuindo o risco de enchentes —, mitiga a poluição de mananciais que abastecem a população e combate vetores de doenças tropicais, aliviando o sistema de saúde pública. Assim, ao avançar no encerramento de lixões via consórcio entre municípios, a região melhora não apenas suas métricas de resíduos, mas fortalece a integridade socioambiental do saneamento regional como um todo.
No entanto, o panorama do Nordeste em relação à destinação adequada de lixo é marcado por um forte contraste: a região abriga tanto estados que já erradicaram 100% dos seus lixões quanto estados que figuram entre os piores índices do país. Na média por Regiões, enquanto o Sul lidera com apenas 5,7% de lixões, o Nordeste registra 51,6% e a Região Norte amarga a liderança isolada com 73,8% de seus municípios usando lixões.
De acordo com dados consolidados do IBGE (MUNIC/PNSB) e da Abrema (Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente), os estados do Nordeste se dividem em três blocos bem definidos:
1. O Bloco de Elite (Erradicação quase total)
Estes estados investiram massivamente em polos regionalizados de aterros e lideram com folga na região:
Alagoas (1º lugar no Nordeste): É o maior destaque da região. Tornou-se o primeiro estado do Nordeste a erradicar 100% dos seus lixões a céu aberto, destinando a totalidade de seus resíduos urbanos para aterros sanitários licenciados.
Pernambuco (2º lugar no Nordeste): Passou por um processo agressivo de fiscalização do Tribunal de Contas (TCE-PE). O estado alcançou a marca histórica de ter apenas um único município ainda utilizando lixão, com praticamente 99% das cidades integradas a aterros.
2. O Bloco Intermediário (Transição Avançada)
Estados com fortes capitais econômicas, que resolveram o problema em suas regiões metropolitanas, mas ainda lutam para extinguir lixões no interior:
Paraíba: Destaca-se como líder em sustentabilidade ambiental no ranking geral do CLP no Nordeste, tendo mais da metade de suas cidades cobertas por aterros. [1, 2]
Sergipe e Ceará: Apresentam uma cobertura que oscila entre 45% e 55%. O Ceará, por exemplo, avançou com consórcios regionais, mas ainda possui mais de 100 municípios dependentes de lixões no interior semiárido. [1, 2]
Rio Grande do Norte e Bahia: Apresentam forte disparidade populacional. A Bahia, por ser o estado com mais municípios na região (417), possui o maior número absoluto de lixões ativos (mais de 280), embora sua capital e grandes polos industriais tenham destinação 100% adequada.
3. A Zona Crítica (Mais de 80% dependente de lixões)
O Impacto dos novos aterros no Piauí (PI)
No Piauí, o cenário histórico era dramático: até 2021, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PI) apontava que 223 dos 224 municípios piauienses descartavam lixo de forma irregular (apenas a capital, Teresina, possuía aterro adequado). Atualmente, no entanto, está passando por uma melhora recente expressiva, impulsionada por uma força-tarefa interinstitucional que tirou o estado da estagnação total e o estado vem registrando avanços práticos por meio do programa "Zero Lixões: Por um Piauí mais Limpo", desenvolvido pelo Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente (Caoma/MPPI). O assunto também foi alvo de promessa durante as últimas eleições: o Governador, Rafael Fonteles, prometeu que encerraria os lixões se reeleito.
O reposicionamento do Piauí (que passou a cobrir mais de 50% de sua população urbana) foi o que o descolou do bloco crítico nacional formado por Amazonas, Maranhão e Pará. Ao conseguir criar infraestrutura e fechar quase 100 lixões, o Piauí superou toda a média regional do Norte e passou a figurar na média dos estados em transição. O Piauí saltou de apenas uma estrutura licenciada para quatro aterros sanitários regionais em plena operação (localizados em polos estratégicos como Água Branca, Altos, União, Francisco Santos e Buriti dos Lopes), além de novos projetos em fase de licenciamento. Com essa nova infraestrutura regionalizada e o uso de estações de transbordo, cerca de 90 municípios piauienses já conseguem direcionar seus resíduos urbanos para a destinação correta.
Essa estratégia de focar nos polos de maior impacto populacional para reduzir a emissão de poluentes em grande escala rendeu ao estado o prêmio internacional da Coalizão Subnacional para a Ação contra o Metano (SMAC), destacando o Piauí globalmente na agenda climática. I), o projeto também conquistou o 1º lugar na categoria Sustentabilidade do Prêmio CNMP 2024 (Conselho Nacional do Ministério Público). A promotora que coordena a atuação do MPPI explicou ainda em reunião de gestores que “Sete aterros e 40 unidades de transbordo são suficientes para uma solução definitiva dos resíduos sólidos do nosso Estado. Então, é possível congregar todos os órgãos para esse objetivo comum de encerramento dos lixões e organização dos catadores. Assim, teremos um melhor meio ambiente piauiense”, destacou Áurea Madruga, promotora de Justiça e coordenadora do Centro de Apoio e Defesa do Meio Ambiente do MPPI.
Apesar do avanço acelerado, a realidade ainda exige cautela. O estado tem dimensões continentais e mais de 60% de suas cidades ainda dependem de descarte inadequado, afetando principalmente as áreas rurais e municípios muito pequenos (com menos de 10 mil habitantes), onde o custo logístico de transporte até os aterros existentes ainda inviabiliza as operações locais. Por conta disso, a erradicação total dos lixões virou tema central de debate e promessa prioritária no plano de governo estadual voltado para o ciclo de 2027 a 2030.
O Impacto dos novos aterros no Maranhão (MA)
Perfil dos aterros recém-inaugurados no Maranhão.
Estratégias regionais para gestão integrada dos resíduos sólidos.
Potencial para melhoria dos indicadores de saneamento no estado.
Reflexos positivos na qualidade de vida das populações locais.
Historicamente, o Maranhão registra desafios na área de saneamento. Dados anteriores do Censo do IBGE apontavam o estado com a menor proporção de cobertura de coleta de resíduos do país, apesar de ter sido o que mais expandiu o serviço na última década, saltando de 53,5% para 69,8%. A expansão de aterros licenciados como o de Balsas é o principal mecanismo para reverter os índices de destinação inadequada no estado.
Se o Maranhão concretizar o plano e subir para a faixa de 40% a 50% de atendimento, ele dará um salto gigante: sairá da lanterna isolada regional (e a penúltima do país) e passará a jogar direto no bloco intermediário, emparelhando com os índices de estados na zona de avanço mais intermediária. Esse salto representaria a maior evolução proporcional em saneamento básico do país, tirando o Maranhão da zona mais crítica de vulnerabilidade socioambiental.
A inauguração do segundo aterro sanitário do estado, o Aterro Sanitário Regional de Balsas, na verdade aumentará o índice de destinação adequada e reduzirá a zero (0%) o descarte em lixão a céu aberto no município de Balsas, uma das cidades mais populosas do estado. Embora não haja um percentual exato divulgado sobre o impacto direto desse novo empreendimento no índice consolidado de todo o estado do Maranhão, a estrutura tem capacidade para processar até 216 toneladas de resíduos por dia (cerca de 13 mil toneladas por mês), atendendo de forma planejada toda a região sul maranhense. O espaço tem capacidade para processar mais de 1.300 toneladas de resíduos sólidos por mês e vai ajudar a proteger a Bacia do Rio Balsas, a saúde da população e o meio ambiente.
Antes do aterro, debater um Plano de Resíduos Sólidos baseava-se em promessas e projeções futuras. Com a estrutura física inaugurada e operando via Parceria Público-Privada (PPP), a audiência pública deixou de discutir se o lixão seria fechado e passou a debater como otimizar o sistema que já existe. Como a destinação final ambientalmente correta dos dejetos urbanos já foi solucionada pelo novo aterro regional, a prefeitura e a comunidade puderam concentrar os debates da audiência na redução do volume de lixo enviado para as células de aterramento.
A audiência pública é o espaço democrático obrigatório para legitimar as metas de longo prazo contidas no Plano de Resíduos. É o plano validado na audiência que definirá as taxas de manejo, a logística dos fluxos de resíduos domésticos e industriais, e as regras para que o município mantenha a operação sustentável financeiramente pelos próximos anos.
Entretanto, para alcançar a universalização e erradicar completamente os mais de 250 lixões a céu aberto, o Maranhão precisará de um total de 22 aterros sanitários regionalizados. Esta estimativa faz parte do plano técnico nacional elaborado pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES) junto à Associação Brasileira de Limpeza Pública (ABLP), adaptado às exigências do Novo Marco Legal do Saneamento Básico.
A distribuição projetada para cobrir os 217 municípios do estado é dividida pelo porte das estruturas:
• 16 aterros sanitários de grande porte: Estruturas polo destinadas a receber o lixo de regiões metropolitanas e consórcios integrados por dezenas de municípios.
• 6 aterros sanitários de pequeno porte: Unidades focadas em atender microrregiões mais isoladas ou com menor densidade populacional.
Sim, o Maranhão possui projetos importantes com obras em andamento e em fase de retomada, concentrados principalmente na região sul e oeste do estado, que buscam acelerar o fim dos lixões a céu aberto. Se os aterros regionalizados de Balsas e Imperatriz estivessem operando simultaneamente (somando-se ao pioneiro Aterro Titara, na Grande São Luís), o Maranhão passaria a dar destinação adequada aos resíduos de aproximadamente 36 municípios. Embora em número de cidades isso representasse apenas cerca de 16,5% dos 217 municípios do estado, o impacto real mais expressivo estaria na concentração populacional: essas três estruturas cobririam o lixo gerado por cerca de 40% de toda a população maranhense. Isso ocorre porque os polos cobrem as maiores concentrações urbanas do estado: São Luís, Imperatriz e Balsas, deixando o restante justamente para cidades de menor densidade demográfica.
Para o Maranhão avançar dos 40% de população atendida para a universalização (100%), o plano estadual prevê que ainda restará o desafio de viabilizar os outros 19 aterros regionalizados planejados para o interior. Se incluirmos o Aterro Sanitário e Industrial Privado da Ecoservice (localizado em Governador Edison Lobão, na Região Tocantina), o cenário mudaria ainda drasticamente, pois ele foi projetado justamente com foco na regionalização em larga escala. A estrutura da Ecoservice foi projetada para cobrir municípios em um raio de até 100 km, com capacidade para atender mais de 50 municípios das regiões Sul e Oeste do Maranhão.
Com a força desse empreendimento privado, o Maranhão conseguiria resolver o problema da destinação de quase metade de suas cidades, restando ao plano de universalização focar prioritariamente nas regiões Central, Centro-Leste e no Alto Turi (Noroeste), que ainda carecem de polos desse porte. O percentual de cidades atendidas: Saltaria para cerca de 40% de todos os municípios do Maranhão (86 de 217) e o de População Coberta: Alcançaria mais de 60% de toda a população do estado.
1. Aterro Sanitário Público de Imperatriz (Em fase de relicitação/retomada)
Imperatriz (segunda maior cidade do estado) trabalha para concluir o que está projetado para ser o primeiro aterro sanitário 100% público do Maranhão.
Estágio atual: A gestão municipal avançou com novos editais e estudos de atualização ambiental para contratar a empresa que finalizará o restante da estrutura (como as lagoas de tratamento de chorume), visando desativar definitivamente o lixão da Estrada do Arroz.
As obras físicas contudo, continuam paradas. Embora a prefeitura tenha publicado um edital de concorrência eletrônica (Nº 007/2026) para contratar uma empresa especializada em concluir os serviços remanescentes, os operários e as máquinas ainda não voltaram ao canteiro de obras. Os relatórios de fiscalização e reportagens locais apontam o seguinte panorama:
Paralisação estendida: O projeto está completamente travado desde agosto de 2025, quando o contrato administrativo com a empreiteira anterior venceu sem renovação.
Impasse no local: A estrutura atingiu pouco mais de 52% de execução física antes de parar. O terreno já conta com cercamento, compactação e a geomembrana instalada na trincheira principal, mas a falta de avanço no restante das instalações expõe o local ao risco de deterioração.
Orçamento travado: Dos R$ 22 milhões em recursos federais alocados junto à Caixa Econômica, cerca de R$ 6 milhões foram liberados. A estimativa é que sejam necessários mais R$ 9 milhões para concluir os 48% restantes, valor encarecido pela correção inflacionária do período de abandono.
Questão de acesso: Há ainda pendências logísticas externas que precisam ser resolvidas pela nova administração municipal, como a desapropriação de áreas vizinhas necessárias para garantir o acesso adequado ao aterro.
2. Aterros Privados e Regionais no Sul do Maranhão
A região sul desponta como o principal polo de novos projetos de engenharia sanitária através da iniciativa privada:
• Aterro Industrial da Ecoservice (Governador Edson Lobão): Projetado para funcionar como o primeiro aterro sanitário e industrial privado (Classe I e II) da região Sul do Maranhão. A implantação da infraestrutura, em uma área de 125 hectares, foi iniciada para atender indústrias e municípios em um raio de até 100 km. O cronograma operacional aponta o recebimento dos primeiros resíduos.
O Impacto dos novos aterros no Rio Grande do Norte (RN)
Descrição das características dos aterros inaugurados no RN.
Como os novos aterros aliviam a pressão sobre os antigos lixões.
Melhorias esperadas na coleta, destinação e tratamento dos resíduos.
Influência na redução de impactos ambientais e riscos à saúde pública.
O cenário no RN é desafiador: segundo dados consolidados no Painel de Resíduos Sólidos do RN (lançado pelo Ministério Público do RN), o estado ainda possui 176 lixões ativos e 229 áreas de descarte irregular. Cerca de 121 municípios potiguares ainda utilizam lixões como única destinação de seus rejeitos. A sociedade não deixa de pautar o problema, como ilustra a atuação do Escritório de Direitos Humanos e Assessoria Jurídica Popular Frei Tito de Alencar (EFTA) e comunidades de Crateús, que entraram com ação popular em 2023 na Vara Cível da Comarca da cidade contra a Prefeitura do município com foco na situação do lixão que impacta a vida e a saúde de diversas famílias, assim como vem causando danos ao meio ambiente.
O Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema) concedeu a Licença de Operação para a primeira etapa do Aterro Sanitário do Seridó, localizado no município de Caicó. A autorização representa um avanço importante para a destinação adequada dos resíduos sólidos produzidos pelos municípios da região. Com a licença concedida, o Consórcio Intermunicipal Multifinalitário do Seridó (CIM Seridó) avança na implantação de uma solução regional para a destinação dos resíduos sólidos, contribuindo para a preservação ambiental e a melhoria da gestão do lixo nos municípios do Seridó.
Com vida útil de 20 anos, o projeto do Sistema de aterro do Seridó, elaborado pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), atenderá 26 municípios da região e prevê estações de transbordo nas cidades de Jardim do Seridó, Currais Novos e Jucurutu.
Para auxiliar as prefeituras no enfrentamento do desafio da eliminação dos lixões e da implantação de um modelo de destinação final adequado para os resíduos sólidos domiciliares, a Governadora Fátima Bezerra criou, em 2026, um grupo de trabalho formado por representantes do executivo estadual na área de meio ambiente e das pastas de Planejamento e Finanças e presidentes dos consórcios regionais. O objetivo é dar andamento às ações da gestão consorciada de resíduos sólidos nas regiões do Estado. Após anos de paralisações e entraves burocráticos, o Governo do Rio Grande do Norte resgatou os projetos junto à Funasa. O estado está realizando a transição dos lixões regionais para os novos aterros sanitários construídos de forma consorciada.
Mesmo diante dos desafios, a Femurn considera que o estado está próximo de superar o problema dos lixões. A expectativa é reforçada pela previsão de entrada em operação do aterro sanitário de Caicó e pelos processos de licenciamento para novos empreendimentos em Assú e Areia Branca (pelos próprios municípios de forma independente), além do Aterro do Alto Oeste, inaugurado em Rodolfo Fernandes pela empresa Oeste Ambiental, atendendo via consórcio intermunicipal (CIMOP) a 44 municípios específicos daquela microrregião (como Pau dos Ferros).
No último caso, o governo estadual e a Funasa reestruturaram o planejamento para garantir o suporte técnico e financeiro aos municípios que precisavam finalizar seus planos de saúde ambiental. Afinal, esse sistema está desenhado para receber o lixo produzido por dezenas de municípios (abrangendo o Alto Oeste, Médio Oeste, região de Pau dos Ferros e Chapada do Apodi).
Considerando o sistema que atende a região da Grande Natal (com o Aterro Metropolitano/Ceará-Mirim e a CTR Potiguar em Vera Cruz) somado aos novos polos regionais como o do Seridó (Caicó e municípios consorciados) e de Mossoró, estima-se que cerca de 60% a 63% da população urbana do Rio Grande do Norte já conte com destinação adequada de resíduos sólidos. Embora o número de municípios que dispõem de aterros licenciados ainda seja proporcionalmente baixo frente ao total de cidades do estado (gira em torno de 45 municípios), o índice populacional é consideravelmente maior porque os locais atendidos concentram as maiores densidades demográficas do estado (como Natal, Parnamirim, Mossoró, Ceará-Mirim, Macaíba, além dos polos regionais).
Reconfiguração do patamar regional da gestão de resíduos sólidos
Como as iniciativas no RN e Maranhão podem servir de modelo para outros estados nordestinos.
Potencial regional para o avanço conjunto em resíduos sólidos e saneamento.
Importância da articulação entre estados para estratégias compartilhadas.
Desafios ainda presentes e próximos passos
Necessidade de investimentos contínuos para manutenção e ampliação dos aterros.
Capacitação técnica e gestão eficiente como fatores críticos.
Monitoramento e fiscalização para garantir a qualidade dos serviços.
Importância da participação social e transparência nas ações.
Situação estado a estado no Nordeste
Breve panorama da situação atual dos resíduos sólidos em cada estado da Região Nordeste.
Destaque para avanços e desafios específicos de estados que ainda necessitam de infraestrutura.
Perspectivas de futuros projetos e investimentos em aterros sanitários.
Conclusão e Gargalos Finais
Síntese dos ganhos alcançados com os novos aterros no PI, RN e Maranhão.
Reflexão sobre o impacto positivo para os índices regionais de resíduos sólidos e saneamento.
Chamado à ação para gestores públicos, entidades da sociedade civil e órgãos de controle fortalecerem o acompanhamento e ampliem as iniciativas.
O grande gargalo que impede o Nordeste de subir ainda mais no ranking nacional não são mais as suas cidades polo, mas sim a população rural espalhada e os municípios com menos de 10 mil habitantes, onde o custo por habitante para transportar o lixo até os novos aterros ainda é um desafio financeiro a ser resolvido. Ainda assim, os últimos estados abandonaram o grupo mais crítico do saneamento nacional.
O monitoramento constante também é necessário, já que os lixões podem voltar, como no caso de Alagoas e Pernambuco.
Tópicos que Serão Abordados em Textos Futuros
Iniciativas locais de conscientização de limpeza urbana e fiscalização do combate aos descartes irregulares.
Os Fóruns sobre o Lixo (Flics) existentes nos estados.



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